NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: Estamos em 2020 e as máquinas ainda não substituíram os Tradutores

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Ao longo dos últimos anos, muito se tem especulado sobre o avanço da tradução automática e sobre o facto de esta poder acabar por substituir a tradução humana, ou seja, os tradutores de carne e osso e cérebro. 

É verdade que a tradução automática já avançou bastante e que, em certas áreas e línguas (nomeadamente, na língua inglesa), esta desempenha as suas funções de forma bastante razoável. Também é verdade que este tipo de tradução já é utilizado por instituições como a Comissão Europeia, conhecida como o coração da tradução e o maior empregador mundial de Tradutores, e que já começa a ser utilizada em, imagine, tradução literária!

Contudo, estamos em pleno 2020 e a máquina ainda não conseguiu substituir os Tradutores.

Estamos em 2020 e a máquina ainda precisa muito de nós, ainda é falível, e, na minha opinião, esta irá continuar a precisar dos Tradutores durante muitos anos. Isto porque, apesar de toda a evolução, estudos comprovam que continua a ser necessário que um ser humano verifique o que foi traduzido pela máquina.

A máquina não tem a sensibilidade e a perspetiva de adaptação ao contexto e à cultura de chegada que o ser humano tem; ainda é muito “literal” e pouco apelativa para o leitor final (isto pode ser particularmente prejudicial para temáticas como a publicidade, o marketing, o turismo etc.).

Vou mostrar-lhe dois exemplos práticos que, aparentemente, não têm nada a ver com isto, mas que podem ajudá-lo a perceber este ponto de vista:

 

  1. Imagine que tinha uma apendicite e que precisava de uma cirurgia. Confiaria num cirurgião em pele e osso, num cirurgião em pele e osso com um robô cirúrgico como assistente ou apenas num robô cirúrgico, para a fazer? Parece-me que, provavelmente, escolheria a primeira ou a segunda opção, certo? O robô pode executar muito bem a sua função, mas, a maioria de nós, continua a confiar mais num ser humano, especialmente se uma situação não correr como é suposto.
  2. Imagine agora que ia jantar a um novo restaurante em que a cozinha era só composta por robôs. Os pratos, provavelmente, sairiam perfeitos, com a receita seguida à risca! Mas será que ser cozinheiro é isto? Seguir a receita à risca? É assim que se chega a pratos “de comer e chorar por mais”? Se assim fosse éramos todos bons cozinheiros, o que não é o caso.

 

Tal como cozinhar, traduzir não é só “seguir um número de procedimentos” para, neste caso, obter uma tradução fidedigna. Além disto, traduzir é adaptar e analisar com escrutínio o objetivo do texto de partida e o objetivo da tradução do texto, para que não haja incongruências.

Com isto, não quero dizer que devemos afastar a tradução automática por completo, tudo depende do propósito do texto e do Cliente. Além disso, penso que não devemos ter medo deste tipo de tradução, porque ela pode ser-nos muito útil, pode ajudar-nos, pode acelerar o processo de tradução, mas precisa, e irá continuar a precisar, da nossa assistência.

 

Machine translation vs. Human translation:

que tal ser um jogo de equipa em vez de um duelo?

 

 

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